Um tributo ao Patriarca Olímpio Tomaz

No dia 05 de outubro de 1941, nascia no alto sertão da paraíba, na cidade de Santa Luzia do Cabuji, um menino, cuja vida influenciaria positivamente a vida de muitas outras pessoas… Olímpio Tomaz da Silva, filho de um casal de agricultores que tiveram 12 filhos, criados todos no sítio de Ipueira trabalhando arduamente na roça, cultivando principalmente feijão, milho, arroz, macacheira, batata doce e jeremum. A fruta que marcou sua infância foi o umbu, abundante em toda a região. Outra atividade que demandava muita mão de obra, esta mais para o consumo da grande família, era a criação de porcos, galinhas, bodes e cabras de leite. A água utilizada na época era obtida do açude do Sr. Cornélio, alguns barreiros da região e cacimbas de água doce. Todos os alimentos eram cozinhados num grande fogão de lenha e além da lenha, água e outros utensílios, eram transportados em caçuás nos lombos dos jumentos, muitas vezes acompanhados pelos cachorros xaréu e piranha, que juntos percorriam 02 léguas, aproximadamente 12 km até Junco do Seridó onde faziam as compras. Trabalhou na lavoura ajudando seus pais até completer 18 anos, quando alistou-se no exército e serviu por 01 ano na cidade de Caicó, Rio Grande do Norte.
Após concluir o serviço no exército, já com 19 anos, conheceu sua querida esposa Dona Maria, que, depois de 04 anos de namoro casaram-se em Junco do Seridó em 25 de maio de 1962. Ele mesmo construiu sua propria casa de taipa, no sítio de Ipueira, uma casa bem pequena com apenas um quarto, uma cozinha e uma sala. Permaneceram juntos trabalhando na agricultura por quase 10 anos, quando em 1972, venderam toda a produção de fava, feijão e milho, reuniu sua mulher e seus 03 filhos: Pedro, João e Mariluce, compraram passagens para Goiânia-GO e apenas com a coragem e a roupa do corpo, mudaram-se para àquela cidade. Muito trabalhador, logo começou uma nova atividade para ganhar dinheiro… como só estudou até a quarta série do ensino fundamental, conseguiu uma vaga de servente de pedreiro e em pouco tempo foi promovido para Pedreiro. Em Goiânia comprou um terreno em 50 parcelas, sendo 20 parcelas de Cr$ 25,00 (vinte e cinco cruzeiros) e 30 parcelas de Cr$ 55,00 (cinquenta e cinco cruzeiros), totalizando Cr$ 2.150,00 (dois mil, cento e cinquenta cruzeiros). Neste terreno construiu uma casa de tábuas, chamada BARRACÃO, onde lá viveram por aproximadamente 03 anos; em seguida ele demoliu o barracão e reconstruiu a casa com tijolo de adobe, um tijolo vermelho crú, muito usado na época. Com o tempo, os tijolos crus começaram a se desgastar e mais estabilizado financeiramente comprou tijolos e reconstruiu sua casa, desta feita, bem maior com uma sala, cozinha, banheiro e 02 quartos. Nesta casa nasceram mais dois filhos, Diogo e William. Algum tempo depois venderam a casa por Cr$ 40.000,00 (quarenta mil cruzeiros) e vieram morar em João Pessoa, onde compraram uma casa no bairro do Cristo Redentor.
Juntamente com sua esposa que tem um grande coração, decidiram adotar mais um filho e assim o Edson passou a fazer parte da família como fillho adotivo. A família passou por uma grande tragédia envolvendo sua filha Mariluce. Quando ela estava com 09 anos, enquanto brincava com sua prima Ida, sofreu uma queda e bateu fortemente com a cabeça numa pedra; essa queda deixou sequelas, dentre elas uma epilepsia crônica, que a fazia sofrer muito com convulsões. Já em João Pessoa, com 15 anos de idade, estava num velório de uma amiga e comentou com algumas amigas que no outro dia, ela também iria morrer e que elas dessem lembranças aos seus pais… No outro dia, data em que seus pais comemoravam aniversário de casamento, após retornar da casa de uma amiga Zulmira, ela jogou-se debaixo de um ônibus enquanto estava parado. O motorista percebeu a tempo e a retirou… ela retirou-se de lá e foi até o centro da cidade, precisamente na lagoa do parque Solon de Lucena. Lá encontrou um policial chamado Valdir, conversou com ele, anotou o seu nome em sua mão, perguntou se a lagoa tinha jacaré, engoliu alguns compromidos, dirigiu-se às margens da lagoa e saltou dentro do açude morendo afogada. Isso abalou profundamente a família que perdera sua única filha mulher.
No ano de 1984 a família conheceu o evangelho através dos Elderes Ferreira e Martins; ficaram firmes na igreja e após um ano de conversão foram selados no templo de São Paulo para toda à eternidade e à eles também foram selados 04 filhos. No mesmo ano foi chamado para servir como o primeiro presidente do Ramo Rangel. Nesse intervalo selou o outro filho à eles para toda à eternidade. Logo em seguida foi chamado como conselheiro do Bispo Ademir na ala Rangel; depois foi chamado como bispo da mesma ala por duas vezes; em seguida serviu como membro do sumo conselho e posteriormente no dia 25 de março de 2001, foi chamado como patriarca da estaca João Pessoa Rangel e ficou servindo por longos 13 anos, quando foi desobrigado em julho de 2014 tendo concedido exatamente 600 bençãos patriarcais. Entre 2004 e 2006 serviu no Templo do Recife como Missionário de Templo Integral e entre 2015 e 2017 serviu uma outra missão como Missionário de Tempo Integral, desta feita no Templo de Manaus. Por problemas de saúde com a vista retornou 09 meses antes e concluiu a missão no Templo do Recife.
Trabalhando em João Pessoa aprimorou suas habilidades como pedreiro e foi promovido para Mestre do Obras. Já com muita experiência contruiu pelo menos 10 prédios na capital, dentre eles um de 32 andares em frente ao Shooping Manaíra; construiu dezenas de casas, dentre elas 60 casas do conjunto “Mãe Bienga”.
Seu legado espiritual é incomensurável, basta lembrar que através de seu exemplo e de sua amada esposa, enviaram para servir todos os seus 05 filhos como missionários de tempo integral e ao retornar todos se casaram, sendo todos selados nos Templos do Senhor para toda à eternidade, além do que, todos os 05 filhos foram chamados e serviram como Bispos da Igreja.
Hoje, com 79 anos, aposentado, reside com sua querida e amada Maria no bairro de José Américo, tem 12 netos, sendo destes 03 já casados. Toda a família permanece firme e constante no evangelho. Certamente esse é o maior legado que ele e sua esposa deixam para sua linda e grandiosa família; seguramente, uma história que não pode ser esquecida.