Sr. Manoel, o embalador!

Recentemente, dia 09 de outubro de 2020, eu estava com minha esposa, Maristela, fazendo compras no supermercado “LATORRE” e presenciei uma cena no mínimo inusitada. Estávamos passando as compras na caixa e percebi que a pessoa que estava embalando era um Senhor de aproximadamente 75 anos de idade; lentamente ele colocava cada item dentro da sacola, de maneira que a cada 05 itens que a caixa passava, ele conseguia embalar um e assim uma pilha de produtos ficava ao seu lado… pensei em ajudá-lo, mas tive medo de constrangê-lo! Pensei comigo que era muito esforço da parte dele e que certamente estava fazendo o melhor que podia para sua idade. Peguei na minha carteira uma notinha de R$ 2,00 para dar-lhe de gorjeta, quando ele como os demais embaladores conduzisse o carrinho com as sacolas até o estacionamento. Fiquei surpreso quando um outro embalador, bem jovem, aproximou-se e tomou o seu lugar concluindo o serviço de maneira bem mais ágil e rápida. O Senhor afastou-se e começou a fazer o mesmo serviço na caixa ao lado. Fazendo um julgamento, imaginei que aquele jovem estava tomando a posição daquele senhor com a intenção de ganhar a gorjeta; fiquei aguardando e pensei que provavelmente ele no final do dia faria a divisão da gratificação entre eles… ele pegou o carrinho com as compras e nos seguiu em direção ao estacionamento, colocando as sacolas dentro da mala do carro. Ao terminar, dei-lhe a gorjeta e perguntei se aquele senhor fazia parte de algum projeto do supermercado ao ajudar idosos contratando-os para trabalhar na empresa. Acreditei ser uma iniciativa maravilhosa! Então, aquele empacotador, dirigindo seu olhar para mim, de maneira carinhosa disse: – Seu Manoel? Não! Ele não é empregado, ele é o dono da empresa! Fiquei perplexo! e voltei a perguntar: Aquele senhor com tanta simplicidade é o dono? Ao que novamente afirmou que sim e disse-me que ele gosta de ajudar os embaladores e os clientes. Entrei no carro e fiz o relato para minha esposa. Quantas coisas podemos aprender com seu Manoel. Primeiro: Ele trabalha dentro de sua capacidade, evitando a ociosidade, quando poderia estar em casa deitado numa rede apenas esperando os rendimentos de sua empresa. Segundo: Ele interage com seus funcionários e clientes, quando poderia apenas ficar em seu escritório, supervisionando à distância através de uma janela de vidro. Terceiro: Ele serve aos seus empregados e seus clientes sem que as pessoas saibam quem realmente ele é. Quarto: Ele ensina a simplicidade através da maneira como trata seus semelhantes, e não demonstra ostentação na sua aparência de vestir. Ele me fez lembrar do ensinamento de nosso Senhor e Mestre, relatado na epístola de João, quando, após lavar os pés dos apóstolos, perguntou aos seus discípulos: “Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor; e dizeis bem, porque eu o sou; Pois se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis essas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes”. Aquele senhor estava dando-nos um exemplo de como servir ao próximo; na verdade, ele estava fazendo jus ao seu nome “Manoel” de origem hebraica que significa “Deus conosco”. Foi sem dúvidas uma noite de compras especial e que cada um de nós possa agir como seu Manoel, entendendo que ninguém é maior… todos somos iguais perante o Senhor, empresário e empregado; senhor e servo; comandante e comandado; líder e liderado.