Um tributo ao meu Avô Manú !

Tive a honra e o privilégio de crescer convivendo bem próximo de meu querido avô materno, Manoel Clementino Alves, conhecido carinhosamente por vovô Manú. Tenho muitas e boas recordações dele em minha infância e juventude. ele era uma pessoa muito quieta, bem comportada. Jamais ouvi alterar sua voz com minha avó ou com qualquer outra pessoa, nem mesmo com seus filhos. Extremamente carinhoso; tinha uma voz compassada, calma e ao mesmo tempo grave. Sempre moramos próximo de sua casa, na rua Marinheira Agra n 207, no bairro de José Pinheiro em Campina Grande -PB. Ele tinha como profissão o ofício de Barbeiro e possuía uma barbearia no mercado central de Campina Grande e sempre fez questão de cortar o cabelo de todos os seus netos e portanto comigo não seria diferente. Era um corte padrão da época, chamado corte militar, onde simplesmente raspava as partes laterais da cabeça e mantinha apenas a parte superior do cabelo bem rebaixado e arredondado. Quando eu chegava no salão, ele colocava uma madeira na cadeira para me sentar e ficar mais alto para então fazer o corte… lembro bem do cheiro do talco que ele colocava após concluir; ou meu pai ou minha mãe me levava para
o salão e geralmente eu ia acompanhado de meu irmão Joéliton, 02 anos mais novo que eu, para também cortar seu cabelo. Cortou nossos cabelos até morrer em 1978, quando eu já tinha 17 anos.Me lembro muito bem das vezes que eu chegava em sua casa com toda nossa família aos domingos para visitá-los e geralmente almoçávamos ou jantávamos com eles; ele sempre me pegava no colo, me sentava em uma de suas pernas e brincava de cavalinho até cansar!!! fazia isso muitas vezes! outras vezes colocava um de meus irmãos ou primos na outra perna e brincava com os dois ao mesmo tempo simulando os pulinhos do cavalinho… era bem divertido! jamais esquecerei!Tenho forte recordação dele preparando as armas de caça e os cachorros perdigueiros que usava para auxiliar na caça. Na década de 70 não era proibido caçar… Ele se juntava ao meu pai, seu filho “Zeca” e outros amigos e viajavam em caminhonetas ou jeeps para o sertão para matar juritis, arribaçãs, tatus, tejuaçús, rolinhas e outros animais que porventura aparecessem. Sempre retornavam com muita caça e ao chegarem sempre tinham muito trabalho para despenar todas as aves que haviam sido abatidas. Lembro bem de pelo menos 03 cachorros, Fang, Nick e Japonês, sendo este último o que mais me apeguei. Ele também gostava de fazer passeios aos domingos com toda a família aos sítios para simplesmente chupar jaboticabas e sempre eram passeios maravilhosos; parava num sítio de alguém, comprava o pé de jabuticaba por um certo valor e todos poderiam comer e colher a vontade. Outro passeio tradicional organizado por meu avô, era visitar todos os anos a cidade de São Severino dos Ramos em romaria num caminhão do tio Valdecir; sempre foi muito divertido e participei de algumas dessas viagens. Na época a fiscalização não era tão atuante e nem cinto de segurança era obrigatório e todos viajávamos nesse caminhão em formato “pau de arara” com apenas tábuas na carroceria onde nos sentávamos com uma lona por cima que nos protegia do sol. Outro passeio que ele gostava de fazer era visitar a casa de pai vovô e mãe vovó no sítio de São José da Mata, próximo à Campina Grande. Era um sítio próximo ao aeroclube e lembro bem que tinha muita areia solta e muita melancia…sempre comíamos muitas delas e brincávamos muito de fazer bonecos com suas cascas. Já maior entre os meus 10 e 15 anos vi muitas vezes meu pai jogar cartas (sueca, relancim, buraco) com meu avó em sua casa com um grupo de amigos, enquanto brincávamos na rua com os primos em volta do caminhão do tio Valdeci… eram tempos muito bons! Não havia violência nas ruas e ficávamos até tarde da noite, até eles acabarem de brincar e então retornávamos para nossas casas. Gostava de fazer almoço para toda a grande família e convidava a todos! Sempre tinha muita carne nas panelas, carne de vaca e galinha. Faleceu no dia 08 de dezembro de 1979, com apenas 65 anos, de um fulminante ataque cardíaco, sentado em numa cadeira da mesa após o almoço sem nunca antes ter ido a um hospital. Na época as pessoas não gostavam de visitar os hospitais… Minha avó e toda a família sentiram muito sua falta, inclusive eu que sempre mantivera um ótimo relacionamento com ele. No dia que ele morreu eu estava em Patos com o Elder Zequini, fazendo um trabalho de proselitismo. Retornei imediatamente a tempo de participar do seu velório e sepultamento. Um ano depois já cumprindo uma missão de tempo integral, na missão Brasil São Paulo Sul, realizei o batismo vicário por ele no Templo de São Paulo. Dias depois após retornar da missão tive um sonho onde ele realizava uma ordenança do sacerdócio, confirmando assim para mim que havia aceitado o batismo e que já possuía o sacerdócio e estava muito feliz.