Meu avô Manú e seu relógio de gibeira.

Sua paciência, perseverança e constância em procurar algo importante que perdeu dura normalmente quanto tempo? um dia? uma semana ? um mês? um ano? uma década? que tal procurar algo importante por 40 anos? vivi uma experiência espetacular em relação a este assunto… quando eu era uma criança, ainda com meus 03 aninhos até arpoximadamente 09 anos, sempre tive o privilégio de ter meus cabelos cortados por meu avô e durante esse período de infância meus pais sempre me levaram na casa dele para passear e assim sendo tive um relacionamento muito próximo com ele… Seu nome, Manoel Clementino Alves, conhecido carinhosamente por familiares e amigos como “Manú”. Lembro claramente desse período, quando meu avô me colocava em uma de suas pernas e meu irmão na outra e cantarolava galopando simultaneamente com as pernas simulando o galope do cavalo… adóravamos aquela brincadeira! Curioso como sempre fui, eu tentava pegar seu relógio de gibeira (bolso) e ele com muito cuidado sempre nos mostrava e nos dexava pegar; em seguida o escondia em seu pequeno bolso da calça. Já jovem e crescido sempre vi meu avô continuar usando o seu inseparável relógio de gibeira. Em 1979 meu querido avô faleceu e comecei a sondar com quem havia ficado àquele relógio, entretanto nunca forcei muito para descobrir… os anos foram se passando e vez por outra perguntava a minha mãe com quem havia ficado o relógio! ela não sabia… eu a estimulava a perguntar a sua irmã, minha tia Lucicleide, que igualmente afirmava não saber. Eu sempre tive um presentimento que ele deveria estar com meu tio Zeca, irmão de minha mãe que tinha um relacionamento muito próximo com meu avô, pois era barbeiro como ele e trabalhava no mesmo salão; também caçavam juntos, quando a caça ainda não era uma atividade proibida pelo governo. Os anos foram se passando, a vida transformando-se, todos crescendo, casando-se, filhos e netos chegando e eu sempre perseverando em minha busca; mais recentemente, após aposentar-se intensifiquei as buscas com minha mãe, minha tia e decidi visitar pessoalmente meu tio para conversar com ele. Cheguei em sua casa e fiquei muito feliz ao conversar com ele e vi que ele tinha um quarto com muitos objetos que pertenceram ao meu avô guardados… naquele momento aumentou minha esperança de encerrar àquela busca… fiquei muito feliz, pois ele se comprometeu em procurar o relógio em seus pertences antigos. Poucos dias depois recebi uma notícia maravilhosa pelo whatsapp afirmando que ele havia encontrado o tesouro perdido… quase não acreditei… assim que cheguei de Recife fui imediatamente visitar meu tio em sua casa e finalmente depois de 40 anos consegui ter em minhas mãos o querido relógio usado por meu avô… foram 40 anos de perseverança. A sensação de segurar um objeto que pertenceu a um antepassado querido e que representou muito em minha infância é extraordinária! consiga hoje com seu avô, avó, pai, mãe ou outro ente querido, algo que hoje pode não ter muita importância, mas amanhã o fará lembrar muito das experiências vividas com àquela pessoa