Um tributo aos diretores regionais

Trinta e um anos de sistema educacional não são trinta e um meses nem muito menos trinta e um dias… foram muitas experiências sagradas em todos os sentidos, com alunos, com líderes, pais de jovens, professores, voluntários, secretários, visitantes, zeladores, fornecedores e também muitas delas com vários diretores regionais que tive ao longo desses anos. No princípio eram chamados de coordenadores regionais, depois supervisores e em seguida e até o presente diretores regionais. Assim que fui contratado como coordenador tive como primeiro regional o Fernando Araújo. Foi ele quem agendou o meu teste para coordenador em São Paulo e indicou-me para a vaga surgida em João Pessoa em 1988. Servi inicialmente ao seu lado como assistente voluntário por alguns meses. Após ser contratado, tendo-o como regional, aprendi as primeiras lições dentro do sitema educacional, até que ele foi chamado para presidir uma missão em Portugal e então eu fui chamado para assumir o seu lugar. Fernandão foi um diretor da linha “durão”, entretanto, tinha grande coração! Sempre foi muito enérgico, homem de palavras firmes, sem arrodeios e muito exigente; dentre seus dons, possuia uma visão de crescimento extraordinária que me ajudou muito na forma de presidir a estaca João Pessoa. Ensinou-me que se eu desejasse passar muito tempo no programa, deveria sempre seguir a liderança, não importasse quem fosse e cada vez que mudasse a direção do programa, mesmo que o novo chefe mudasse regras e procedimentos, assim como se vira um prato de um lado para o outro, eu também deveria fazer o mesmo, ou seja, virar o prato instantaneamente para ficar em harmonia com a nova direção… Assim o fiz ao longo dos anos e sempre deu certo! Certa vez, estávamos num hotel como companheiros numa convenção e ao entrar no apartamento, peguei uma mini garrafa de bebida alcoólica que tinha no frigobar e o ofereci em forma de brincadeira… ele me repreendeu imediatamente e energicamente disse-me que “com o pecado não se brinca” e que nunca mais fizesse aquilo! Como novo coordenador foi uma grande lição que aprendi naquele momento. Viajamos juntos algumas vezes e participamos de grandes eventos que marcaram àquela geração de jovens.
Em seguida tive a oportunidade de ter como regional o Vaguiner Tobias. Extremamente animado e trabalhador. Divergíamos em algumas maneiras de pensar e agir, porém sempre fomos muito sinceros um com o outro e sempre mantivemos um excelente relacionamento. Infelizmente uma fatalidade o levou cedo para o outro lado do véu, após uma cirurgia que não deu certo. Certamente tinha muito a oferecer ao programa.
Na sequência o próximo regional foi o irmão Sérgio Carboni. Tive a oportunidade de servir ao seu lado ainda como assistente voluntário por alguns anos em Campina Grande. Também deu seu aval para minha contratação. O Carboni é por essência um entusiasta, muito dedicado ao Senhor, possui muitos talentos que contribuem para o crescimento do reino, dentre eles o domínio da lingua inglesa. É um devorador de livros e ótimo orador. Eu o acompanhei por várias horas em um dos momentos mais tristes de sua vida, enquanto esperava a chegada do corpo de sua filha dos Estados Unidos no aeroporto em João Pessoa. Nessa época ele servia como presidente da missão Salvador, quando perdeu uma de suas filhas, Talita, de maneira trágica. Fizemos algumas viagens de trabalho juntos e tivemos experiências maravilhosas, algumas delas muito engraçadas….
Mais recentemente o irmão Kaulle Bezerra; dinâmico, animado, responsável e extremamente divertido como a grande maioria dos cearences; também é daqueles que fala na cara o que tem que ser dito e usa de muita sinceridade em suas palavras, optando sempre pelo verdadeiro sem qualquer tipo de enrolação. Eu o conheci pela primeira vez em Fortaleza vendo-o jogar futebol de salão quando ainda não era contratado e impressionava-me a força e a velocidade que a bola alcançava quando ele a chutava…
O maior legado deixado por eles, foi indubitavelmente a amizade que mesmo com meu desligamento do sistema educacional, certamente a manteremos por toda a eternidade. Gratidão eterna a cada um deles. Joel Fernandes.