Até onde vai a inocência de uma criança?

Eu estava em minha folga nesta última segunda feira e me propús a fazer um projeto de serviço na casa de minha filha Bárbara, afinal estou morando com ela e ficarei pelas próximas 04 semanas até finalmente entrar no estágio de aposentado a partir do dia primeiro de julho. Convidei para ser meu assistente na limpeza do jardim e capinagem o netinho Jarede de 04 anos, carinhosamente chamado de “catita” o qual aceitou prontamente… eu arrancava o mato e ele o colocava dentro do saco de lixo dando seus palpites constantemente; a temperatura estava alta, pois o sol estava muito quente, até que depois de um bom tempo ele desapareceu de minha vista e eu pensei: cansou e desistiu… poucos minutos depois ele reapareceu diante de mim e pasmem, quase não acreditei no que vi… Com dois copos d’água em suas mãos ele parou olhando para mim e bem sério disse-me: Vovô, o senhor precisa beber água! Fiquei muito sensibilizado com aquela cena… como pode uma criança com apenas quatro anos de idade perceber que eu estava cansado, suado e que necessitava tomar água? Bem, não gosto muito de água, mas diante daquela cena, rendi-me ao apelo daquela criança e tomei toda a água que estava naquele copo! Ele ficou feliz e ainda disse: Tome mais vovô! Então fiz um pedido para ele: Você pode ficar ao lado da casinha para vovô tirar uma foto? Ao que ele prontamente ficou acocorado segurando um dos copos pousando para o clic… assim registrei esse mágico momento! Logo mais a noite, ao preparar meu colchão para dormir, ele se aproximou de mim, olhou para a cama, percebeu que não havia travesseiro e efastou-se… eu não durmo com travesseiro! Alguns segundos depois ele chegou com um travesseiro em seus braços e disse-me: Tome vovô um travesseiro para o senhor dormir e foi para o seu quarto… era a segunda situação de extrema sensibilidade demonstrada por uma criança em menos de doze horas… Ao levantar no outro dia, estávamos todos às 6h30 sentados nas cadeiras nos preparando para estudar as escrituras; o Ábner começou a fazer a oração; enquanto ele orava, suavemente e silenciosamente com os olhos entreabertos, abri o livro de mórmon no capítulo 13 de Éter e fui surpreendido com ele fechando o meu livro e dizendo sussurando: Vovô, estamos na oração, Feche o livro! Com essa eu fiquei perplexo… a maturidade espiritual para perceber que eu estava fazendo algo que não era certo… que deveria esperar reverentemente terminar a oração, para só então abrir a escritura. Foi mesmo uma experiência fascinante esses três momentos vividos ao lado dessa criança especial. O Senhor coloca anjos literalmente em forma de pessoas, algumas sendo crianças para nos auxiliar, confortar, ensinar e nos corrigir quando necessário. Essa experiência me fez lembrar o ensinamento maravilhoso do rei Benjamim no ano 124 a.C. “Porque o ahomem natural é inimigo de Deus e tem-no sido desde a bqueda de Adão e sê-lo-á para sempre; a não ser que cceda ao influxo do dSanto Espírito e despoje-se do homem natural e torne-se esanto pela expiação de Cristo, o Senhor; e torne-se como uma fcriança, submisso, manso, humilde, paciente, cheio de amor, disposto a submeter-se a tudo quanto o Senhor achar que lhe deva infligir, assim como uma criança se submete a seu pai” (Mosías 3:19). Oxalá, possamos desenvolver esses atributos de uma criança em nossa vida mortal e assim como Jarede, meu netinho de quatro anos, possamos usá-los diariamente em nosso relacionamento com nosso próximo. Joel Fernandes.