Um tributo à Martha Gonzalez

Um tributo à Martha Gonzalez (24/abr/2019)
A irmã Martha Gonzalez fez parte historicamente de uma época rica em memoráveis apresentações do coral regional de João Pessoa entre os anos 1991 e 2001 quando por um tempo funcionou um grande coral que juntava coralistas de todas as estacas de João Pessoa. Seu esforço, determinação e coragem a acompanhavam em todos os momentos que dirigia qualquer das apresentações as quais conduziu… Ela era a regente do coral da estaca João Pessoa e sempre que a ocasião permitia era chamada para conduzir o coral regional… também conduziu o coral da estaca em muitos serões, produziu cantatas natalinas e tive o privilégio de acompanhá-la em vários ensaios e presenciava as broncas que ela dava nos participantes quando estes cometiam algumas falhas que muitas vezes eu como leigo nem percebia… a diferença sempre se manifestava nas apresentações finais em conferências que se enchiam do Espírito em função do elevado desempenho do coral por ela regido. Lembro-me de tantas dessas apresentações em várias ocasiões, especialmente nas conferências da estaca presididas por mim e outras vezes por diversas autoridades gerais… Os Elderes Helvércio Martins, Harold G. Hillam, Claudio Costa, W. Craig Zwick, o Bispo Richard C. Edgley do bispado presidente, o Elder Jeffrey Holland dos doze e outros sem excessão fizeram elogios dos mais marcantes… Um deles certa vez comentou ao meu ouvido: “Fecho os olhos e escuto o Coro do Tabernáculo”… Lembro-me claramente de ouvir o coral cantando e perceber nitidamente a congregação parar para ouvir… é como se o tempo parasse…. A sessão de domingo da conferência tinha que ter pelo menos duas apresentações na sessão de sábado à noite e três apresentações na sessão de domingo.
Mas certamente a mais marcante de todas as suas apresentações foi em agosto de 1997, numa Conferência Regional realizada no Teatro Paulo Pontes, presidida pelo Elder Jeffrey Holland, tendo a presença ainda do Elder W. Craig Zwick como presidente da área, do Elder Cleto Oliveira, dos setenta e do presidente Grahl como presidente da Missão Brasil Recife. Neste dia o coral contava com a participação dos coralistas de Campina Grande, João Pessoa, Mossoró e Natal, totalizando aproximadamente 300 vozes. Essa formação exigiu muito empenho e esforço durante alguns meses de preparação. As cidades preparavam seus corais e irmã Marta Gonzalez ia em seguida nas cidades fazer o acompanhamento. Viajei pessoalmente com ela e seus assistentes nessa preparação… Me lembro perfeitamente e certamente todas as 3000 pessoas que lá estavam presentes em duas sessões, manhã e tarde, também devem se lembrar do que aconteceu na apresentação intermediária, da sessão da tarde, quando o coro cantou o hino 180 – Já Refulge a Glória Eterna, com o arranjo original do coro do Tabernáculo Mórmon (Truth is Marching; Battle Hymn of the Republic ). O Espírito estava tão forte que a maior parte da congregação derramou lágrimas… não tinha como não se emocionar… no meio da apresentação a regente Martha Gonzalez, virou-se para a congregação e juntos todos cantaram o refrão: “Glória , Glória, Aleluia! Glória , Glória, Aleluia! Glória , Glória, Aleluia! Vencendo vem Jesus”! em seguida virou-se para o coral e concluiram cantando a terceira esfrofe e quando finalmente silenciaram, percebi que muitos do coro não conseguiam mais cantar, apenas choravam… Foi um dos momentos mais lindos que presenciei em minha vida, especialmente pelo que se seguiu depois…. O Elder Holland subiu para deixar sua mensagem e com lágrimas nos olhos, iniciando suas palavras disse em alta e clara voz: “Ouvimos e vimos hoje nesta congregação a presença literal de anjos do Senhor”. No final da conferência, enquanto muitos saiam do recinto, ele perguntou para nós da liderança local se ela, a regente, não ficaria chateada de reger o coral mais uma vez aquele mesmo hino… eu falei com ela e prontamente eles começaram a cantá-lo novamente… desta feita o Elder Holland pegou um banquinho, sentou-se e ficou ouvindo aquela maravilhosa apresentação… enquanto ouvia, uma criança pequena, a filha do bispo Malheiros, Bruninha, ia passando perto olhando para ele… sem vacilar ele a pegou e colocando-a em seu colo assistiram ao coral… ao terminar, talvez poucos perceberam, algo muito sagrado aconteceu… o Elder Holland dirigiu-se à Martha Gonzalez e deu-lhe um beijo em sua face. Uma forma máxima de expressar humildemente sua gratidão pelo que acontecera naquele dia… Hoje, mais de 21 anos se passaram, e ao fechar os olhos consigo relembrar aqueles inesquecíveis momentos que marcaram para sempre nossas vidas. Martha Gonzalez, você contribuiu muito para que tudo isso acontecesse… você é amada, querida e respeitada por todos! a música fez parte de nossa história naquela década e todos somos imensamente gratos a você por sua consagração à música! Muito obrigado a você. Certamente as palavras ditas pelo Senhor em 1830 dirigidas à Emma Smith aplicam-se a você: “Porque minha alma se deleita com o canto do coração; sim, o canto dos justos é uma prece a mim e será respondido com uma bênção sobre sua cabeça” (DC 25:12). Talvez nunca mais teremos a oportunidade de presenciar novamente essa mesma cena com as mesmas pessoas, exceto quando no mundo espiritual todos juntos queiramos fazer uma reapresentação, entretanto para que isso aconteça, teremos que esperar ainda um pouco até que todos estejamos do outro lado do véu. (joelfernandes.com.br)