Um tributo ao meu amigo “Ronas”

Um tributo ao meu amigo “Ronas”

Sim, “Ronas”, assim era carinhosamente chamado por sua querida e amada esposa Soraia! Deixou-nos repentinamente, sem qualquer sinal aparente, gozando de ótima saúde, foi simplesmente transferido deste estágio mortal para o mundo espiritual, onde certamente terá um grande trabalho a executar juntamente com outros amigos que também já se foram; afinal todos estamos aguardando também nossa hora de partir… chamado por seus familiares desde a infância até sua juventude de “Ronaldinho”, após tornar-se membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, cresceu em maturidade, passando então a ser chamado por seus irmãos de “Ronaldão”. Conheci “Ronas”, “Ronaldinho”, “Ronaldão” ou simplesmente “Ronaldo” ainda jovem no ano de 1978, quando eu tinha apenas 17 anos e ele 21. Naquela época já namorava Soraia. Pouco tempo depois se casaram e acompanhei ao longo dos últimos 41 anos sua magnífica jornada de crescimento na área familiar, profissional e eclesiástica. Sempre exemplar em cada uma delas…Vi seu empenho, trabalho constante e abnegado na construção de sua casa em Campina Grande, que tirou dele, vários anos de sacrifício, até que finalmente ficou pronta! tive o privilégio de ser seu Bispo em Campina Grande e também a honra de ser seu presidente de estaca em João Pessoa, quando algum tempo depois tive igualmente o privilégio de tê-lo como meu Bispo. Lembro-me que quando seu nome foi aprovado pela primeira presidência para ser Bispo da Ala João Pessoa, como presidente de estaca, fui em sua casa, sábado a noite, entrevistá-lo juntamente com sua esposa para fazer o chamado… ele ficou muito surpreso e me perguntou se realmente eu tinha certeza daquilo que estava fazendo; disse ser uma pessoa que tinha falhas e que seu tempo era muito curto, em função de seu trabalho na companhia de telecomunicações. Lembro claramente ter-lhe dito, que não fora eu quem fizera o chamado, mas o Senhor… então com sua peculiar humildade, ele disse que aceitaria a responsabilidade. Serviu vários anos como Bispo e em seguida o Senhor o chamou como presidente daquela estaca, onde serviu por longos anos, sendo um líder amado e respeitado por todos. Seu trabalho o obrigava a ficar 100% alerta 24h por dia, portanto sempre com o celular ligado e a qualquer hora do dia, poderia ser chamado para resolver alguma emergência… presenciei momentos em reuniões da Igreja, que teve que ausentar-se imediatamente para dar socorro em algum lugar; nunca o vi reclamar! Sempre com um sorriso no rosto, pronto a servir na empresa, na família ou na Igreja, não importava. Quando eu estava em Florianópolis, ele viajou a serviço da empresa e ligou para mim para saber se poderia nos visitar… Foi para nós uma grande alegria recebê-lo… naquela noite saímos e tivemos momentos agradáveis de boa conversa, relembrando fatos do passado num restaurante da cidade. Mais recentemente, quando eu e minha família sofremos um acidente na estrada e fiquei gravemente ferido, a primeira pessoa que minha esposa lembrou de ligar foi para Ronaldo, que a atendeu de uma forma espetacular providenciando imediatamente socorro… ligou para o irmão Norland e para sua filha Slávia que prontamente foram para o hospital e quando lá cheguei, já me aguardavam com uma equipe médica de atendimento. Isso não tem dinheiro que pague… sua amizade me faz lembrar uma belíssima canção de Milton Nascimento de 1980, chamada “Canção da América” que diz:

“Amigo é coisa pra se guardar
Debaixo de sete chaves
Dentro do coração.
Assim falava a canção
Que na América ouvi,
Mas quem cantava chorou
Ao ver seu amigo partir.
Mas quem ficou, no pensamento voou
Com seu canto que o outro lembrou.
E quem voou no pensamento ficou
Com a lembrança que o outro cantou.
Amigo é coisa pra se guardar
Do lado esquerdo do peito.
Mesmo que o tempo e a distância digam não,
Mesmo esquecendo a canção,
O que importa é ouvir a voz que vem do coração.
Pois seja o que vier
Venha o que vier,
Qualquer dia, amigo
Eu volto a te encontrar.
Qualquer dia, amigo
A gente vai se encontrar.
Seja o que vier
Venha o que vier,
Qualquer dia, amigo
Eu volto a te encontar.
Qualquer dia, amigo
A gente vai se encontrar!”

Não tenho duvidas que um dia, nós iremos nos encontrar e juntos relembrar momentos alegres que juntos como família usufruímos, dentre eles o dia que decidimos passar uma noite completa de São João dançando no vale do Jatobá até 5h da madrugada… Uma noite inesquecível; eu, você, Soraia, Maristela, Ana Lígia e André. Até hoje, nunca dancei tanto em minha vida como naquela noite… Outra vez, planejamos assistir juntos um show de Reginaldo Rossi e foi uma outra aventura maravilhosa. Dançamos e nos divertimos muito naquela noite. Ronaldo gostava muito de forró, e sempre que ouvimos alguma música de Jorge de Altinho, Assisão, Flavio José e Alcimar Monteiro, dentro outros, é impossível não lembrar dos dois dançando no salão, vez por outra deixando cada um, um dos braços soltos, pendurados para descançar, parecendo assim, um par de mamolengos! Quanta saudade desses bons momentos!
Apreciava muito fazer alguns mimos para “sua Soraia”, segundo sua filha Slávia, lavar a louça, levar um suco de mamão com laranja para ela ainda na cama no café da manhã, fechar a cortina do quarto, colocar o lençol sobre ela antes de dormir, fazer uma feijoada e evidentemente, fazer uma de suas comidas prediletas que era macacheira com carne de sol, coisas que certamente farão muita falta à sua amada mulher. Eu já disse muitas vezes a amigos, para ele e também para sua esposa: “Se Ronaldo não for pró céu, ninguém vai”.
Certamente cumpriu muito bem sua jornada mortal nesta vida, como um verdadeiro discípulo de nosso Salvador; oxalá possamos todos nos inspirar nele para sermos também melhores em nossas ações com o próximo. Ronaldo, nós não o esqueceremos!. Joel Fernandes.