Agimos com igualdade numa época de degeneração?

Agimos com igualdade numa época de degeneração?

No ano 570 a.C., Néfi profetizou: “Mas eis que quando chegar o tempo em que degenerarem, caindo em incredulidade, depois de haverem recebido tão grandes bênçãos das mãos do Senhor” – (2 Néfi 1:10). Essa palavra “degenerar” tem um sentido muito forte e de acordo com o dicionário significa: perder ou ter alteradas (o ser vivo) as qualidades próprias de sua espécie; mudar para um estado ou condição qualitativamente inferior; declinar, estragar(-se). Lamentavelmente, temos acompanhado em nosso meio muitos casos de irmãos nossos, deixando a Igreja por motivos diversos… assim sendo, perdendo sua condição elevada espiritual de membro para uma condição inferior, em pleno estágio de incredulidade!

Preocupa-me ao refletir, até que ponto cada um de nós é corresponsável em contribuir para que isto aconteça… Alma no ano 100 a.C. considerou pecado um certo tipo de comportamento: “…e formavam um povo à parte, quanto a sua fé, e assim permaneceram para sempre; sim, em seu estado carnal e pecaminoso, porque não queriam invocar o Senhor seu Deus” (Mosías 26:4). Até que ponto nos isolamos de nossos irmãos? Até que ponto participamos, muitas vezes involuntariamente, de panelinhas de amigos? Como agimos com nossos recém conversos? Os convidamos para uma reunião em nossa casa? Um jantar? Ou o fazemos apenas com aqueles que são de nosso nível social? Saímos para passear com os humildes? Visitamos os pobres? Será que, como Alma afirmou, nos isolamos como um povo a parte? 26 anos depois Alma pregando aos zoramitas percebeu que algo muito grave estava acontecendo entre o povo: “E aconteceu que, depois de muito trabalho, começaram a ter êxito com a classe pobre; pois eis que os pobres eram expulsos das sinagogas por causa de suas vestimentas grosseiras. Portanto, não lhes era permitida a entrada nas sinagogas para adorarem a Deus, sendo considerados como imundície porque eram pobres; sim, eram considerados por seus irmãos como escória e eram pobres quanto às coisas do mundo; eram também humildes de coração” (Alma 32:2-3). Certamente não  expulsamos ninguém de nossas reuniões sacramentais, mas será que tratamos a todos da mesma maneira? Cumprimentamos a todos? Os julgamos por suas vestimentas? Olhamos diferente por serem pobres? Ou por serem humildes? Numa situação em que Alma estava preocupado com a possibilidade de adotar-se  a monarquia,  ensinou ao povo: “…Não apreciareis uma carne mais que outra, ou seja, nenhum homem se considerará melhor que outro…” (Mosías 23:7). Néfi fez uma linda declaração sobre igualdade entre as pessoas aos olhos de Deus: “Pois nenhuma destas iniquidades vem do Senhor, porque ele faz o que é bom para os filhos dos homens; e não faz coisa alguma que não seja clara para os filhos dos homens; e convida todos a virem a ele e a participarem de sua bondade; e não repudia quem quer que o procure, negro e branco, escravo e livre, homem e mulher; e lembra-se dos pagãos; e todos são iguais perante Deus, tanto judeus como gentios” (2 Néfi 26:33). Que ensinamento maravilhoso…

Como estamos mantendo nossas amizades? Continuamos nutrindo-as? Certamente precisamos sim, elevar nossa atenção em relação a isso… afinal, ninguém vive sem amigos! Não chegaremos a lugar algum sozinhos… Impressiona-me o infinito amor que o profeta Joseph tinha pelos filhos de Deus: “Se foi demonstrado que tenho a disposição de morrer por um ‘mórmon’, declaro destemidamente perante o Céu que estou igualmente pronto para morrer em defesa dos direitos de um presbiteriano, um batista ou um bom homem de qualquer outra denominação; porque o mesmo princípio que destruiria os direitos dos santos dos últimos dias também destruiria os direitos dos católicos romanos ou de qualquer outra denominação que venha a ser impopular ou demasiadamente fraca para defender-se. É o amor pela liberdade que inspira minha alma, a liberdade civil e religiosa para toda a raça humana” (Ensinamentos dos Presidentes da Igreja: Joseph Smith, 2007, p. 362).

Oxalá, não entremos no processo de degeneração e caiamos na incredulidade, mas venhamos sim, a enxergar nosso próximo da mesma maneira que o Senhor os enxerga, afinal, esse padrão de comportamento pode nos afastar totalmente da íntima relação como nosso Pai Celestial.